CVM alerta sobre marketing multinível

A CVM (comissão de valores imobiliários) e a Senacon (Secretária Nacional do Consumidor) divulgaram um Boletim com o objetivo de dar assistência aos consumidores em relação às promessas que surgem no setor de investimentos financeiros, especialmente aqueles que dizem respeito às chamadas pirâmides financeiras. Tal tipo de negócio promete um investimento inicial com um retorno elevado de valores e sem um trabalho real.

O que na maioria das vezes acontece é que os investidores não têm os retornos esperados e o negócio acaba se configurando como irreal. O processo de venda direta ou venda de porta a porta ainda é o mais confiável: nele, o vendedor procura o consumidor diretamente em sua residência, não tendo um estabelecimento aberto para fazer essa captação.

O processo de venda direta dá aos vendedores maior independência e é feito com diversos produtos como: cosméticos, utensílios domésticos, produtos de beleza, alimentos, entre outros. O marketing multinível, ou sistema de marketing de rede, é uma das formas de remuneração desses vendedores diretos, pois além deles ganharem com a venda de produtos, que normalmente é feito por comissões, os vendedores também ganham com a captação de novos vendedores.

Assim temos dois níveis de vendedores diretos: uns na estrutura “mononível”, que recebem apenas pelo que vendem, e os na estrutura “multinível”, que recebem pelo que vendem e também por conseguirem novos vendedores. Óbvio está que a segunda categoria requer mais dedicação e tempo para obter resultados.

O sistema de vendas diretas tem vantagens para os clientes, por serem atendidos com uma atenção maior e dentro de suas residências . Para os vendedores que ficam livres de horários fixos e não precisam ter uma dedicação integral, isso pode significar uma atividade que traz renda extra. E para as empresas de vendas diretas há também diversas vantagens, sendo a principal delas a não vinculação desses vendedores na categoria tradicional de funcionário empregado, além de não necessitarem investir tanto em publicidade, já que o negócio se expande de boca a boca, por meio de uma rede de colaboradores desvinculados da empresa (não há que se preocupar com direitos trabalhistas).

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O marketing multinível, quando praticado de forma idônea, na qual os vendedores recebem suas comissões pela venda de produtos e a captação de novos vendedores, é altamente lucrativo e está conforme a legislação brasileira. Porém, não é o que acontece com as pirâmides financeiras.

De acordo com o Boletim, as pirâmides financeiras se caracterizam quando os participantes precisam captar novos participantes e receber por isso, porém, esse dinheiro – investimento inicial – não se converte em benefício coletivo. Nesse caso, os golpistas tentam mostrar que o negócio é legal, fazendo propagandas miraculosas e ressaltando a chance de lucro certo e em tempo curto, dando aquela ilusão de que se trata de um trabalho real, mas que na verdade é uma pilantragem disfarçada.

A principal diferença entre marketing multinível e pirâmides financeiras é que nestas últimas não há a venda de um produto real, que possa sustentar o negócio e a “sede” dos investidores é sempre captar novos adeptos.

Há três dicas para que o consumidor possa analisar se o negócio apresentado é uma proposta real ou uma pirâmide financeira:

1 – Se exigir um valor expressivo para o início do negócio, mas não realizar a entrega de kits de inicialização. Nos negócios multiníveis normalmente se pede um valor para entrada, mas se recebe em contrapartida os produtos que servirão para compensar o investimento inicial – no caso, é preciso batalhar para que haja vendas;

2 – Se o trabalho que deva ser desenvolvido não apresenta um esforço real do vendedor, como a venda e divulgação de um produto. Ou seja, desconfie de propostas confortáveis, que prometem lucro certo diretamente do conforto do seu lar, até mesmo por divulgação por um aplicativo ou nas redes sociais;

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3 – Se houver, como dissemos, promessa de altos ganhos em pouco tempo, sem que haja clareza de onde virá o dinheiro, no final das contas. Desconfie se existe possibilidade da conta não se fechar, de uma ponta a outra do negócio.

A CVM também fiscaliza as empresas que captam recursos da população para financiamento de suas atividades e projetos de investimento, em troca de uma remuneração. Ela verifica se é um negócio em que há garantias de retorno, para poder prever se o negocio da empresa será rentável ou não. Além disso, para lidar com as diversas maneiras que podem ser desenvolvidas para captar recursos, a CVM passou a fiscalizar também os títulos ou contratos de investimento coletivo.

Uma característica de que essa modalidade de negócio coletivo possui é que a divulgação não depende do investidor. Esse trabalho deve ser feito pelo empreendedor ou terceiros. A diferença, portanto, entre o marketing multinível e o investimento financeiro no mercado de capitais é que no primeiro há a remuneração pela captação de novos vendedores diretamente, e no segundo há apenas o investimento, não tendo uma relação direta com o trabalho.

Para mais informações, acesse a íntegra do Boletim da CVM: http://www.justica.gov.br/noticias/boletim-explica-a-diferenca-entre-piramide-financeira-e-marketing-multinivel/boletimconsumidorinvestidor-6.pdf 

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1 Comentário

  1. Anderson Ferro disse:

    Olá, tudo bem? Parabéns pelo artigo.